Todos temos necessidades nas relações. Precisamos de sentir que somos vistos, não só amados, mas realmente vistos. Precisamos de espaço para ser diferentes sem perder a ligação. Precisamos de reciprocidade, de segurança, de saber que o que sentimos importa para o outro.
A investigação em vinculação, iniciada por John Bowlby e desenvolvida por vários profissionais, como mais recentemente, Sue Johnson na Terapia Focada nas Emoções; mostra que estas necessidades não são exigências ou fraquezas. São o que estrutura qualquer relação de proximidade. Quando são satisfeitas, o sistema de vinculação está em repouso e em paz. Quando não são, activa: com protesto, afastamento, ou silêncio.
Mas nomear uma necessidade requer que várias coisas aconteçam ao mesmo tempo: saber o que se precisa com precisão suficiente para o dizer, ter vocabulário emocional para o expressar, sentir que é seguro dizê-lo e acreditar que dizer vai fazer diferença.
Quando qualquer uma destas condições falha, a necessidade fica arquivada na memória de trabalho para ser lembrada em breve. Ou talvez, na memória a longo prazo, onde registamos que tentámos dizer e que não fomos ouvidos. Existem outros caminhos, mas este último pode afectar até a forma como te vês e onde desenvolvemos esquemas de adaptação. Para que da próxima vez, já possamos responder de forma diferente.
Quando ele me diz que "está tudo bem" mesmo quando eu percebo que não está, sinto raiva. Raiva dirigida a ele porque eu fui levantar um problema que me afeta, mas ele não vê ou não quer ver. E nessa raiva, penso que ele está a "desconsiderar-me" e sinto vontade de o abanar, não podendo frequentemente zango-me com ele, mas o que ficou na base foi a vontade de lhe dizer diretamente que preciso que ele tenha em consideração o que lhe digo - que é digno
Com o tempo, este padrão consolida-se. A pessoa deixa de tentar. Depois deixa de saber exactamente o que precisa, porque deixou de se perguntar. A necessidade existe, continua a organizar o comportamento, a gerar ressentimento, a criar distância, mas já não tem palavras. Porque exige treino e prática seguras, isto é, um contexto acolhedor.